04-Fev-2012
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Uma alimentação económica pode ser equilibrada? Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
Por Raquel Ferreira, Dietista
A crise instalou-se e o verbo poupar tornou-se comum no nosso vocabulário. O poder de compra diminuiu e vimo-nos obrigados a cortar algumas despesas. Ainda que a alimentação seja uma necessidade básica – e a última fatia do cabaz de compras onde pensamos poupar –, a verdade é que é possível diminuir os custos sem colocar em causa o equilíbrio e a variedade alimentar. Vamos saber como?

A sua casa é a melhor cafetaria e restaurante
O primeiro passo para poupar dinheiro em alimentação passa por evitar as refeições diárias fora de casa. Tomar todos os dias o pequeno-almoço em casa é bem mais económico e saudável do que na pastelaria, onde para além do custo elevado existem inúmeras tentações doces e folhadas. Esta recomendação vale também para os lanches a meio da manhã e da tarde. Se fizer as contas a 3 cafés diários gasta 1,65€. Se for um casal são 102€ que saem do orçamento mensal só para cafés. Acrescente agora o custo do bolo, do pastel, do croquete, da meia-de-leite, da tosta mista… Actualmente já são muitos os locais de trabalho que dispõem de microondas e já não é vergonha nenhuma levar um tupperware para o emprego. Um almoço num restaurante não fica por menos de 6€, o que equivale a 264€ no final do mês, no caso do casal. Mesmo que opte por um almoço ligeiro, do tipo sopa, sandes e café, a soma não difere muito. A marmita recheada com o jantar da véspera é uma forma bem mais saudável e económica de se alimentar ao almoço.

Diga sim às marcas brancas
Os produtos alimentares de marca branca à venda em supermercados e hipermercados apresentam igual qualidade à dos produtos de marca. Prescinda do design e experimente alguma imunidade em relação à publicidade das grandes marcas e verá que ficará igualmente satisfeito com estes produtos.

Respeite a sazonalidade dos alimentos
Uma alimentação saudável e equilibrada é uma alimentação que respeita a sazonalidade dos alimentos. Opte por fruta e vegetais da época, que são sempre mais baratos. Se comprar em feiras e mercados verá que conseguirá poupar alguns euros e ainda trazer “à borla” raminhos de salsa, coentros e hortelã (à venda a 0,80€ cada pacote nos hipermercados)

Escolha fontes de proteínas mais baratas
Do ponto de vista nutricional não ganha nada em comprar bife da vazia (em média 16,90€/kg) e garoupa fresca (em média 17€/kg). Carnes mais baratas são igualmente nutritivas e com igual teor em ferro. Privilegie as carnes brancas e, neste caso, lembre-se que as aves inteiras são mais económicas do que na versão “bife”. Por outro lado, o peixe congelado é mais barato e até oferece mais segurança ao consumidor do que o peixe fresco. Convém recordar que não é preciso comer carne e peixe todos os dias e que não precisamos de grandes quantidades destes alimentos. Experimente, 2 a 3 vezes por semana, incluir outras excelentes fontes proteicas como os ovos e as leguminosas, as quais têm um custo mais reduzido.

Treine o milagre da multiplicação dos pães
O reaproveitamento de sobras é uma arte que se reverte em euros. O importante é respeitar as regras de higiene na preparação dos alimentos, acondicioná-los em recipientes com tampa, guardá-los no frigorífico ou congelador e garantir que o reaquecimento é eficaz. Com as sobras de carne, peixe e hortaliças fazem-se empadões, recheios de tartes e sopas. Com o pão duro fazem-se açordas e torradas. E até a uma sobra de arroz branco se pode acrescentar leite, casca de limão e canela, adoçar a gosto e transformá-lo num arroz-doce expresso. Depois, pratos como o arroz ou a massada de carne ou peixe, feijoadas e jardineiras têm maior rendimento do que um bife ou um peixe à posta, para além de se utilizar muito menos gordura na sua confecção.

Voltarei a este assunto. Até lá pode sempre investir os euros poupados numa bicicleta e aumentar a sua actividade física.
 
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