01-Ago-2010
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Aulas de culinária: voltar ao passado ou solução para o futuro? Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
Por Raquel Ferreira, Dietista
Em tempos idos, as meninas que estudavam para além da quarta classe tinham aulas de Economia Doméstica: aprendiam a cozinhar, a gerir sobras de refeições e o orçamento doméstico. Enfim, boas práticas para assegurar que futuramente cumpririam o seu papel: o de verdadeiras donas de casa!

Mas também as que não estudavam na escola aprendiam com as mães e participavam da vida doméstica. Essas aulas foram abolidas do currículo escolar, até porque hoje as meninas estudam com os meninos e o seu papel na sociedade vai muito para além (felizmente) do de dona de casa.

Em pleno século XXI, na nossa sociedade desenvolvida e ultra-moderna, sobra muito pouco tempo para a preparação de refeições e muito menos para a partilha dessas tarefas com os miúdos. Há cada vez mais a ideia de que não vale a pena o esforço e o tempo dispendido nessas “tarefas menores” e, para ajudar, surgem nos hipermercados um crescente número de opções de “pronto-a-comer”, produtos invariavelmente ricos em gorduras e açúcares.

Em pleno século XXI, a luta contra a obesidade assume-se com uma das principais prioridades em termos de saúde. Mais de metade da população portuguesa adulta tem excesso de peso ou é obesa. Um terço das crianças também. A prevenção deve assentar na promoção de estilos de vida saudáveis, ou seja, uma alimentação equilibrada e prática de actividade física. Até aqui todos de acordo! Mas como potenciar essa alimentação saudável se a preparação e a confecção dos alimentos é tendencialmente uma responsabilidade cada vez menor do indivíduo?

Urge então perguntar: não deveriam os nossos estudantes (meninos e meninas) ter aulas de culinária? Tratar-se-ia de um enriquecimento curricular que talvez colhesse frutos no futuro. O saber fazer, para além do mero conhecimento teórico, é uma forma bem mais eficaz de contornar os problemas. A Inglaterra já se adiantou: os alunos entre os 11 e os 14 anos passarão a ter aulas obrigatórias de culinária. E por cá?

Fica o alerta e a sugestão às escolas, aos professores, às associações de pais, aos ATL, aos autarcas e ao governo.

Raquel Ferreira
Dietista
 
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