10-Mar-2010
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O que é o Índice Glicémico? Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail

Por Vânia Costa, Dietista.
O índice glicémico (IG) (do original, glycemic index) é um parâmetro que tem sido desenvolvido ao longo dos últimos 30 anos, não tendo ainda chegado à sua versão final. Tem sido referido como recurso para auxiliar o controlo da glicémia pós-pandrial, quer em indivíduos sãos como em indivíduos com patologia diagnosticada, nomeadamente alteração do metabolismo glucídico (ex. Diabéticos, insulino-resistentes).3

Em 1981, Jenkins et al publicaram a primeira Lista de Índice Glicémico com o objectivo de auxiliar o controlo da Diabetes tipo 1 e Dislipidémia.5,6 Os alimentos desta lista eram caracterizados de acordo com a rapidez da digestão e absorção durante o período pós-pandrial.7 Em 1995 foi publicada, no Journal of American Society for Clinical Nutrition, a primeira tabela de Índice Glicémico com cerca de 565 entradas. Após revisão desta tabela foi, em 2002, publicada a mais recente tabela de Índice Glicémico com cerca de 1300 entradas correspondentes a mais de 750 diferentes tipos de alimentos e suas variantes.8

O IG continua a ser, no entanto, um conceito controverso que divide opiniões entre a comunidade científica. No caso da Diabetes, a Associação Americana de Diabetes considera que a utilização de alimentos com baixo IG pode reduzir hiperglicémia pós-pandrial mas não considera a existência de evidências suficientes a longo prazo para recomendar o seu uso como primeira estratégia de aconselhamento dietético.9,10

Em outros países é reconhecido como uma classificação base para glúcidos dos alimentos, sendo descrita como útil, fisiológica e fidedigna.6,8 Na Austrália, as guidelines oficiais para idosos recomendam o consumo de cereais com baixo IG, contendo os rótulos dos alimentos o IG como forma de auxiliar os consumidores a escolherem os alimentos com baixo IG. 8

O Grupo de Estudos de Nutrição da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, a Associação Canadiana de Diabetes, a World Health Organization Expert Consultation of Carbohydrates e a Associação de Dietistas da Austrália recomendam elevado consumo de alimentos com fibra e baixo IG para doentes diabéticos, em detrimento dos alimentos com elevado IG, como medidas de reduzir a glicémia pós-pandrial e controlo de peso. 8,9,11

Índice glicémico – conceitos base
O índice glicémico (IG) é um importante parâmetro que permite avaliar o efeito hiperglicemiante de uma refeição ou de um alimento, ou seja, o poder que o alimento ou refeição têm para elevar a concentração de glucose sanguínea após a sua ingestão.3

Este valor é obtido através da resposta glicémica a uma quantidade fixa de glúcidos (50g) de um “alimento teste” em comparação com a mesma quantidade de glúcidos (50g) de um alimento de referência, que pode ser o pão branco ou glucose, consumido pelo mesmo indivíduo.3,4,12

Os valores de IG são classificados segundo a taxa de absorção dos alimentos (Tabela I). Assim consideram-se que os alimentos com baixo IG têm ligações químicas glucídicas mais fortes, digeridas mais lentamente e consequentemente também a sua taxa de absorção é mais lenta e menor é o efeito na glicémia pós-pandrial. Quando os alimentos têm IG elevado a digestão e absorção é mais rápida produzindo o efeito de hiperglicémia.3


Classificação
IG
Baixo
≤ 55
Médio
55-70
Elevado
>70
Tabela II- Classificação do IG


Factores que afectam o índice glicémico
O índice glicémico (IG) depende de um conjunto de factores desde que é matéria-prima até à sua ingesta pelo indivíduo. Os principais factores são:

  • Estrutura dos glúcidos presentes nos alimentos;
  • Processamento, preparação e confecção dos alimentos;
  • Interacção com macronutrientes;
  • Quantidade e o tipo de fibra presente na dieta.

Bibliografia
  1. Chlup R, (2004). Deternimantion of the glycemic index of selected foods (white bread and cereals bars) in healthy persons.Biomed. papers;148(1):17-25.
  2. Pi-sunyer FX (2002). Glycemic Index and disease. Am J Clin Nutr; 76(suppl):290S-8S.
  3. Brand-Miller J (2003). Glycemic load and chronic disease. Nut Rew; 61-5:S49-S54.
  4. Ludwig D, Eckel R (2002). The glycemic index at 20y. Am J Clin Nutr; 76(suppl):264S-5S.
  5. Foster-Powell at al (2002). International table of the glycemic index and glycemic load values:2002. Am Soc Clin Nutri; 76:5-56.
  6. Brand-Miller J, Hayne S, Petocz P, Colagiuri S(2003). Low-glycemic index diets in the management of Diabetes. Diabetes Care;26-8:2261-67.
  7. Franz M (2003). The glycemic index. Diabetes care;26-8:2466-68.
  8. Brand-Miller J, Petocz P, Colagiuri S(2003). Meta-analysis if low-glycemic index diets in the management of Diabetes. Diabetes care;26-12:3363-64.
  9. Daly M (2004). Extending the use of the glycaemic index:beyond diabetes. In www.thelancet.com a 24-1-05; vol 364-28: 736-7.
  10. Nutrition Subcommittee of the Diabetes Care Advisory Committee of Diabetes UK (2003). The implementation of Nutritional advice for people with diabetes. Diabetes Medicine;20:786-807.
  11. Riccardi G, Clemente G, Giacco R (2003). Glycemic index of local foods and diets: the mediterranean experience. Nut Rev; 61-5:S56-60.
  12. Kimura S. (2003). Glycemic carbohydrate and health:background and synopsis of the symposium. Nutr Rev; 61-5:S1-S4.

Vânia Costa

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