| Recusa Alimentar na Criança |
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Por Raquel Ferreira, Dietista. Este tipo de problemas alimentares são frequentes, atingindo cerca de 25 a 30% das crianças, mas só em 1% se pode considerar um problema grave. A etiologia da recusa alimentar, na maioria das vezes, correlaciona-se com as etapas de crescimento e desenvolvimento da criança, bem como a sua relação com a família.
As preferências alimentares nos primeiros meses de vida envolvem mecanismos inatos que, contudo, desde cedo são influenciados pelo processo de aprendizagem. A predisposição genética inclui a preferência por sabores doces e salgados, a rejeição de sabores ácidos e amargos, a tendência para rejeitar novos alimentos (neofobia), a aprendizagem e aceitação de novos alimentos quando são oferecidos repetitivamente e a capacidade para gostar ou não gostar de alimentos em função do contexto social e das consequências fisiológicas da alimentação. As experiências precoces com os alimentos são cruciais no desenvolvimento dos padrões, preferências e ingesta alimentar. Dado que a oferta repetida de um determinado alimento promove a sua aceitação e que os pais são responsáveis pela escolha dos alimentos, estes têm um papel determinante no tipo de alimentos que serão oferecidos repetidamente às crianças. Assim sendo, seguem-se alguns conselhos, que têm por base uma premissa: “A criança aprende essencialmente por Repetição e Imitação”. 1. Preocupe-se com moderação: a criança acusa a "pressão" de várias formas, nomeadamente a de insistir na recusa alimentar, de forma que a melhor abordagem passa pela persistência sem ansiedade. 2. A refeição, sempre que possível, deverá ser feita em família e a criança (a partir de um ano de idade) deverá partilhar a mesma refeição, que preferencialmente deverá ser constituída por uma sopa de legumes, prato de carne ou peixe acompanhado de batata, leguminosas, arroz ou massa, uma boa dose de salada ou legumes de acompanhamento e fruta. A criança interioriza que esses alimentos fazem parte da alimentação quotidiana, percebe que os pais os apreciam e tende a imitar. 3. É errado excluir totalmente um grupo de alimentos e aceitar o facto com uma frase do tipo “o meu filho não come ou não gosta”, porque, muitas vezes, a criança não tem a oportunidade de provar o alimento repetidamente. Por vezes é necessário apresentar sete ou oito vezes o mesmo alimento até a criança o aceitar. Esta repetição permite à criança familiarizar-se com o alimento, com o seu sabor e textura. 4. A criança tem direito a ter as suas preferências e aversões. Não devemos forçar, ameaçar, punir ou obrigar a criança a comer, assim como não oferecer recompensas: estes comportamentos reforçam a recusa alimentar e desgastam pais e filhos. 5. Ofereça os alimentos em quantidades pequenas para encorajar a criança a comer, ou seja, todos os dias apresente-lhe sopa e legumes no prato. No primeiro dia, insista para que coma pelo menos duas colheres de sopa e três ervilhas; no segundo dia, quatro colheres e seis ervilhas. Poderão em conjunto desenhar num caderno, no final da refeição, as colheres de sopa que a criança ingeriu: geralmente os miúdos apreciam a brincadeira e entusiasmam-se.
6. Apresente os pratos de maneira agradável, com textura própria para a idade, evitando a monotonia alimentar: cenoura sempre cozida é aborrecido, a salada se for sempre de alface torna-se enjoativa, a sopa sempre cor de laranja não estimula a visão. Varie: beterraba e cenoura crua ralada, pepino aos quadradinhos, tomate com milho, brócolos e cenouras baby gratinadas com queijo. Perca algum tempo com outras actividades de carácter mais criativo: lembre-se de que “duas ervilhas fazem dois olhos”, ou “um palito de cenoura faz um nariz”, ou ainda que “um raminho de espinafres fazem os cabelos.”
7. Preparar os alimentos e a montagem do prato na presença ou com a ajuda da criança é um truque infalível. Experimente preparar uma sopa em conjunto, dando-lhe pequenas tarefas, como separar as folhinhas do agrião: esta actividade incentiva a criança a comer e estimula-a também a participar nas tarefas domésticas.
8. Leve-a ao supermercado para comprar legumes e frutas: deixe-a tocar, cheirar, comparar e até pesar os diferentes alimentos. Será difícil resistir a tanta cor e variedade. Afinal comer é divertido! |
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