08-Fev-2012
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Os efeitos da Televisão na Saúde Infantil Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
Por Raquel Ferreira, Dietista.
O segredo reside sempre na moderação – mas nos tempos que correm é muito fácil que miúdos e graúdos percam horas a fio à frente do televisor. Não obstante o seu papel (nem sempre) educativo e de entertainer, o elevado número de horas frente à televisão (mais de 2 horas/dia) tem sido relacionado com o excesso de peso e obesidade infantil.

Vejamos como: por um lado, quanto mais tempo se passa frente ao televisor, menor é a actividade física e consequentemente menor o gasto energético, resultando num desequilíbrio na equação necessidade/dispêndio de energia. Por outro lado, a televisão parece também relacionar-se com a ingesta alimentar: em diferentes estudos, um maior tempo de visualização de televisão surge associado com um aumento do consumo de alimentos ricos em gordura, de snacks doces e salgados, de refrigerantes, e a uma diminuição da ingestão de fruta e vegetais. Mais ainda, a exposição à publicidade televisiva, particularmente aos produtos alimentares de elevada densidade energética, parece influenciar as preferências alimentares, a selecção alimentar e a ingestão excessiva de alimentos nas crianças.

Curioso é também o facto dos efeitos da visualização de televisão durante a infância e adolescência poderem influenciar os indicadores de saúde na idade adulta, tais como excesso de peso, baixa actividade física, tabagismo e níveis superiores de colesterol.

Assim sendo, aconselha-se:

  • Limitar a televisão e outras actividades sedentárias, como sejam os jogos de computador, a 2 horas diárias;
  • Promover a actividade física da família: subir escadas, andar a pé, saltar à corda, andar de bicicleta, de skate, fazer escalada, dançar no quarto, passear o cão, jardinagem, jogar à bola na praia;
  • Fomentar na família a capacidade critica para analisar as mensagens da publicidade.

Torne a gente da sua casa mais activa – mais saúde, maior qualidade de vida!


Bibliografia:

Coon, K. A. and K. L. Tucker (2002). "Television and children's consumption patterns. A review of the literature." Minerva Pediatr 54(5): 423-36.

Crespo, C. J., E. Smit, et al. (2001). "Television watching, energy intake, and obesity in US children: results from the third National Health and Nutrition Examination Survey, 1988-1994." Arch Pediatr Adolesc Med 155(3): 360-5.
Hancox, R. J., B. J. Milne, et al. (2004). "Association between child and adolescent television viewing and adult health: a longitudinal birth cohort study." Lancet 364(9430): 257-62.

Lobstein, T. and S. Dibb (2005). "Evidence of a possible link between obesogenic food advertising and child overweight." Obes Rev 6(3): 203-8.

Matheson, D. M., J. D. Killen, et al. (2004). "Children's food consumption during television viewing." Am J Clin Nutr 79(6): 1088-94.


Raquel Ferreira
Dietista
 
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