08-Fev-2012
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Obesidade em crianças e jovens portugueses preocupante Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
Primeiro estudo de obesidade infanto-juvenil português com representatividade nacional
A dietista Joana Sousa, autora de um estudo nacional sobre obesidade infanto-juvenil, defende que devem ser tomadas medidas duras ao nível da publicidade alimentar e da alimentação nas escolas para combater o problema. Um estudo nacional sobre obesidade infanto-juvenil revelou indicadores de excesso de peso e obesidade em 31 por cento das 5.708 crianças e adolescentes analisadas.

A investigação, apresentada no último Sábado, numa iniciativa organizada pela Plataforma Nacional contra a Obesidade, foi desenvolvida pela dietista Joana Sousa no âmbito do seu Doutoramento em Saúde Pública (Ramo de Nutrição e Saúde Pública) na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.

A epidemia da Obesidade Pediátrica é um flagelo que afecta em todo o mundo 155 milhões de crianças em idade escolar.

O trabalho agora realizado é, segundo a autora, o primeiro estudo de obesidade infanto-juvenil realizado em Portugal com representatividade nacional em crianças e adolescentes entre os 10 e os 18 anos.

Em declarações à agência Lusa, Joana Sousa explicou que o grande objectivo era fazer um diagnóstico nacional porque não existem dados com informação suficiente para sustentar a adopção de medidas.

As medidas, defende, devem ser adoptadas a nível político, com regras e leis específicas para limitar a publicidade alimentar e ainda ao nível escolar para evitar que as crianças e jovens optem por alimentos hipercalóricos existentes nos bares das escolas em vez de refeições mais saudáveis.

"Uma das medidas possíveis, e que já existe em algumas escolas, seria fechar o bar à hora do almoço, levando assim os alunos a optar pelo refeitório, onde a alimentação é mais saudável", explicou.

É no ambiente escolar que as crianças e jovens fazem a maioria das refeições, pelo que Joana Sousa defende que as medidas devem ser tão radicais como as de luta contra o tabaco.

"Já se faz alguma coisa, mas é preciso uma medida radical como aquela que proibiu o tabaco", frisou.

Relativamente à publicidade, Joana Sousa referiu que há cada vez maior variedade de publicidade alimentar dirigida às crianças com alimentos que criam maus hábitos.

Por outro lado, adiantou, estes valores de obesidade infantil encontrados estão também relacionados com o pouco gasto energético.

As crianças, disse, praticam cada vez menos exercício e deve haver um incentivo para a prática de actividade física.

O estudo analisou 5.708 crianças e adolescentes entre os 10 e os 18 anos, estudantes do 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário oficial de Portugal continental, matriculados no ano lectivo de 2005/2006.

Do total de crianças e adolescentes analisados, 51,9 por cento eram raparigas e 48,1 por cento rapazes.

Segundo o estudo, há um indicador de prevalência de pré-obesidade em Portugal de 22,6 por cento e que 1.292 casos em estudo preenchem os critérios de excesso de peso.

Já no que respeita à obesidade, 445 crianças e adolescentes do total de casos analisados preencheram esse parâmetro, o que permite concluir que há um indicador de prevalência de obesidade em Portugal de 7,8 por cento.

Quando é avaliada a distribuição do percentil de Índice de Massa Corporal (IMC), por idade e ano de escolaridade, observa-se que é entre os mais jovens que os indicadores de pré-obesidade e obesidade são superiores.

De acordo com os dados, estes indicadores são de 36,7 por cento nas crianças entre os 10 e os 11 anos, de 33,1 por cento nos 12-13 anos, de 27,6 por cento nos 14-15 anos e 24,5 por cento nos 16-18 anos.

Estes resultados, segundo a investigadora, são preocupantes, e mais ainda quando avaliados por faixas etárias, onde se pode concluir que os mais jovens apresentam indicadores de excesso de peso e obesidade mais elevados do que os mais velhos, factor que parece indicar que as crianças portuguesas começam a tornar-se obesas cada vez mais cedo.

De acordo com Joana Sousa, quando avaliados os parâmetros de hábitos alimentares e prática de actividade física, pode concluir-se que as crianças e adolescentes com excesso de peso ou obesidade são as que têm hábitos alimentares menos correctos e praticam menos actividade física.

Na opinião da autora do estudo, o aumento da prevalência da obesidade infantil, as complicações clínicas associadas e o facto dos programas de tratamento reunirem pouco consenso e apresentarem resultados pouco animadores, fazem com que as estratégias de prevenção se assumam como uma promissora abordagem no combate à obesidade infantil.

Fonte: Lusa
 
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