Crianças em risco de deficiência de vitamina D
Cerca de 55% das crianças aparentemente saudáveis podem apresentar deficiência de vitamina D e estar em risco elevado de osteoporose e outros problemas de saúde na idade adulta, diz um novo estudo Norte-Americano.
Segundo os investigadores, liderados por Babette Zemel (Nutrition and Growth Laboratory of The Children’s Hospital of Philadelphia), mais de 90% das crianças Afro-Americanas apresentam níveis reduzidos de vitamina D. Estes resultados podem levar a recomendações de suplementação com vitamina D em crianças para ajudar a reduzir o risco de osteoporose, uma doença com uma probabilidade quatro vezes superior de afectar mulheres do que homens.

Os níveis recomendados de vitamina D dietética e suplementada do Institute of Medicine são provavelmente muito baixas para manter níveis saudáveis de vitamina D (...) A fortificação de alimentos para além do leite deve ser explorada, uma vez que muitas crianças não consomem quantidades suficientes de leite para atingir as necessidades de cálcio e vitamina D”, afirmaram os investigadores.

A potencial redução de osteoporose, uma doença que afecta mais de 75 milhões de pessoas na Europa, Estados Unidos e Japão, tem sido uma abordagem tradicional para tentar aumentar a densidade óssea em mulheres pós-menopaúsicas através da dieta ou suplementação, e para maximizar a formação óssea durante a fase da adolescência.

Cerca de 35% do pico de massa óssea de um adulto é construído durante a puberdade.

O novo estudo avaliou os níveis sanguíneos de vitamina D em 382 crianças saudáveis entre os 6 e os 21 anos de idade do nordeste dos EUA. Após a determinação da ingestão de vitamina D por fontes dietéticas e suplementos e avaliação dos níveis sanguíneos de vitamina D, os investigadores verificaram que 55% das crianças apresentavam níveis sanguíneos inadequados (níveis de 25(OH)D abaixo de 30 nmol/L), aumentando esta proporção para 68% no Inverno.

O melhor indicador do estado da vitamina D numa pessoa é o nível sanguíneo de um composto da vitamina D – 25-hidroxivitamina D. A deficiência de vitamina D permanece um problema geral sub-reconhecido e não está bem estudado em crianças”, afirmou Zemel.

A vitamina D refere-se a dois precursores biologicamente inactivos – D3, também conhecido como colecalciferol, e D2, ergocalciferol. O primeiro, produzido na pele pela exposição a radiações UVB (290 a 320 nm), é mais bioactivo, enquanto que o segundo, derivado de plantas, é apenas obtido pelo organismo via dieta, pelo consumo de alimentos como peixes gordos, gema de ovo e fígado.

Ambos os precursores são hidroxilados no fígado e rins para formar 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), a forma de armazenamento não activa, e 1,25-dihidroxivitamina D (1,25(OH)2D), a forma biologicamente activa controlada pelo organismo.

Os investigadores afirmaram que os novos resultados contribuem para a necessidade de uma revisão das recomendações dietéticas para esta vitamina.

“São necessários estudos adicionais para documentar os efeitos do diagnóstico e tratamento de hipovitaminose D em crianças aparentemente saudáveis”, concluíram os investigadores.

Fonte: American Journal of Clinical Nutrition, 2007; 86(1): 150-158.