Efeitos do chá de camomila nas complicações da diabetes
O consumo de chá de camomila pode prevenir o aumento dos níveis de glicémia e outras complicações associadas à diabetes, sugere um recente estudo do Japão e Reino Unido realizado em ratos.

Os resultados do estudo sugerem claramente que o consumo diário de chá de camomila à refeição pode contribuir para prevenir a progressão de hiperglicémia e complicações da diabetes”, afirmaram os investigadores da Universidade de Toyama no Japão e do Institute of Grassland and Environmental Research em Aberystwyth, Reino Unido.

Se os resultados puderem ser repetidos noutros estudos animais, e em estudos humanos futuros, poder-se-á ver o chá de camomila (Matricaria chamomilla L.) na crescente lista de abordagens dietéticas para a prevenção e/ou tratamento da diabetes.

Cerca de 19 milhões de pessoas são afectadas pela diabetes na UE dos 25, o que equivale a ¼ da população total e estima-se que este número aumente para 26 milhões em 2030. Nos EUA, existem quase 24 milhões de pessoas com diabetes - 7% da população.

Os investigadores verificaram o efeito da suplementação com chá de camomila e os seus componentes major (umbeliferona, herniarina, esculetina, isoscopoletina, apigenina, luteolina, quercetina, R-bisabolol e R-farnesina) na prevenção ou melhoria das complicações da diabetes.

Foram realizados estudos utilizando células de ratos e glóbulos vermelhos humanos, enquanto que os estudos adicionais de alimentação apenas utilizaram ratos. Os investigadores revelaram que o extrato total, assim como a esculetina e quercetina, possuem uma actividade inibitória moderada da sucrase, enzima responsável pela conversão da sacarose em frutose e glicose. A sua inibição iria reduzir o aumento dos níveis de glicémia.

Para além disso, a inibição da enzima aldose redutase (ALR2), que converte a glicose em sorbitol, foi também observada quando os glóbulos vermelhos foram incubados com o extracto de água quente e alguns dos componentes.

Foi já revelado que a actividade da ALR2 dos eritrócitos aumenta em pacientes diabéticos e que os níveis de sorbitol nos eritrócitos estão positivamente correlacionados com os níveis no nervo ciático e retina (...) Este aumento iria provocar danos e complicações”, explicaram os investigadores.

Os investigadores observaram uma inibição da ALR2 de 75, 79, 74 e 68% para a umbeliferona, esculetina, luteolina e quercetina, respectivamente, quando os componentes foram usados a uma concentração de 200 μmol.

O estudo de alimentação, com a duração de 21 dias, utilizou ratos aos quais foi administrada estreptozotocina intravenosamente para induzir diabetes. Verificou-se que a suplementação das dietas com chá de camomila ou com os seus extractos influenciou os níveis de glicémia dos animais, tendo o chá e a quercetina, especificamente, provocado a supressão da glicémia.

O presente estudo demonstrou que o consumo diário de chá de camomila às refeições pode ser potencialmente útil na prevenção e medicação da hiperglicémia e complicações da diabetes”, concluíram os investigadores.

Independentemente dos resultados, Victoria King, coordenadora de investigação da British Charity Diabetes UK, afirma que é necessária investigação futura para substanciar o potencial papel do chá de camomila na prevenção e tratamento da diabetes.

Fonte: Journal of Agricultural and Food Chemistry, 2008, 56: 8206-8211.