08-Fev-2012
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Chocolate preto associado a menor risco de doença cardíaca Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
De acordo com um estudo Italiano publicado recentemente, o consumo moderado de chocolate preto foi associado a uma redução de 33% do risco de doença cardiovascular (DCV) em mulheres e 26% em homens.

Os cientistas do projecto Moli-sani em Campobasso, que investiga factores responsáveis pelas DCV e tumores, associaram os aparentes efeitos benéficos do chocolate preto a níveis mais reduzidos de proteína C-reactiva (PCR), uma proteína utilizada como indicador de inflamação e factor de risco major para o desenvolvimento de doença cardíaca coronária.

"Começámos com a hipótese de que elevadas quantidades de antioxidantes presentes nas sementes de cacau, particularmente os flavonóides e outros tipos de polifenóis, podem ter efeitos benéficos no estado inflamatório. Os nossos resultados foram absolutamente encorajadores: pessoas que consumam quantidades moderadas de chocolate preto regularmente têm níveis sanguíneos de PCR mais reduzidos, ou seja, o seu estado inflamatório é consideravelmente mais baixo", explicaram os investigadores.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as várias doenças classificadas como DCV, como os ataques cardíacos, falência cardíaca e hipertensão, contribuem regularmente para cerca de 30% das mortes a nível mundial, sendo as DCV a principal causa de morte.

O consumo de chocolate tem sido muito associado a uma melhoria na saúde cardíaca. Têm sido realizados vários estudos que sugerem que as propriedades antioxidantes dos flavonóides têm potencial para diminuir o risco de DCV. As sementes de cacau contêm vários flavonóides, incluindo os flavonóides monoméricos epicatequina e catequina e os flavonóides oligoméricos procianidinas.

Os investigadores revelaram que os consumidores de chocolate preto apresentaram, em média, níveis de PCR 17% mais baixos do que os não consumidores. No entanto, o estudo sugere que os efeitos positivos nos níveis de PCR apenas se verificam quando são consumidas pequenas quantidades de chocolate preto. Os benefícios parecem desaparecer quando o consumo é superior a uma porção média de 6,7g por dia.

"O aumento da dose de chocolate levaria ao aumento da ingestão energética total e de ácidos gordos saturados que converteriam os efeitos benéficos dos polifenóis na inflamação", afirmaram. Devido ao número insignificante de calorias resultante da ingestão desta quantidade, o consumo de chocolate preto, dado os seus efeitos benéficos para a saúde, não terão quaisquer efeitos adversos no IMC e relação cintura:anca.

Foram seleccionadas 2141 pessoas saudáveis para integrar o estudo, das quais 1317, que nunca tinham consumido chocolate, constituíram o grupo controlo e 824, que consumiam regularmente chocolate preto (e mais nenhum outro tipo de chocolate) constituíram o grupo teste. O grupo controlo (51% homens) apresentava uma média de idades de 53 anos e um IMC médio de 27, enquanto que o grupo teste (55% homens) apresentava uma idade média de 50 anos e IMC de 26,5.

Foi aplicado um questionário de frequência alimentar para avaliar os hábitos alimentares durante o ano anterior. A ingestão de chocolate foi determinada relativamente à frequência de consumo e tipo de chocolate. Entre os consumidores de chocolate preto, a ingestão média foi de 5.7g/dia. Factores como idade, género, estado social, nível de actividade física e hábitos tabágicos foram tidos em conta para garantir que não influenciavam os resultados. Mesmo após ajustes para estes parâmetros, os resultados revelaram uma associação inversa entre o consumo de chocolate preto e a PCR.

Fonte: Journal of Nutrition, 2008, 138 (10): 1939-1945
 
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