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A aquisição de alimentos baseia-se no poder económico das pessoas, na crença em benefícios de saúde dos alimentos e no custo dos alimentos. No entanto, a etnia e o género têm também impacto nas escolhas alimentares, de acordo com os investigadores do Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.
O estudo revela que a escolha alimentar é também influenciada por factores ambientais, como a confiança no fast-food, publicidade alimentar e custo dos alimentos e por factores individuais, como o sabor, palatibilidade, conveniência e benefícios de saúde. A amostra em estudo incluiu 4356 adultos Norte Americanos, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, de dois estudos representativos conduzidos pelo US Department of Agriculture (USDA) – Continuing Survey of Food Intakes by Individuals e Diet and Health Knowledge Survey. Os investigadores avaliaram os indicadores da qualidade da dieta, como teor energético, densidade energética, gordura total e saturada em alimentos consumidos pelos participantes do estudo. Consideraram, também, a quantidade de frutas e vegetais, fibra, cálcio e lacticínios consumidos e a qualidade geral da dieta, avaliada através de dois índices, incluindo um recomendado pela USDA. Os principais resultados foram:
- Existem diferenças consideráveis em termos de etnia e género na associação entre status sócio-económico, barreiras percebidas do custo dos alimentos, benefícios percebidos da qualidade da dieta e ingestão dietética.
- As restrições económicas dos indivíduos e famílias podem levar a uma menor qualidade da dieta. Aquando da aquisição dos alimentos, os afro-americanos com menor poder económico consideram o custo dos alimentos mais importante do que os caucasianos com o mesmo poder económico.
- Os caucasianos com status sócio-económico mais baixo consomem maior quantidade de gordura (total e saturada). Os afro-americanos não revelaram qualquer associação entre estes dois parâmetros.
- Entre todos os participantes do estudo, e independentemente do poder económico, a barreira do custo dos alimentos parece aumentar a ingestão de sódio e reduzir a ingestão de fibra.
- Os benefícios da qualidade da dieta estão directamente relacionados com melhores comportamentos alimentares, incluindo o consumo de alimentos com baixo teor de gordura saturada e o maior consumo de fibra, fruta e vegetais. Quando comparadas com os homens, as mulheres preocupam-se mais em ir de encontro às recomendações alimentares, de forma a melhorar a sua saúde.
- As mulheres apresentam uma dieta com menor teor energético, densidade energética, gordura total e saturada, colesterol e sódio do que os homens. No entanto, os homens apresentam maior consumo de fruta e vegetais, fibra, cálcio e lacticínios, particularmente porque consumiam mais alimentos.
“ Um baixo status sócio-económico pode causar uma barreira alimento-custo significativa que, por sua vez, reduz a qualidade da dieta de um indivíduo. Considerando a crescente crise da obesidade, é importante tornar os alimentos saudáveis acessíveis a segmentos mais pobres da população e incentivá-los a consumir uma dieta saudável pela redução dos preços destes alimentos”, afirmou Youfa Wang, co-autor do estudo “ Programas que promovam atitudes positivas face aos benefícios de dietas saudáveis podem melhorar a qualidade da dieta para ambos os géneros e todas as etnias”. Fonte: Eur J Clin Nutr, 2007, advance online publication |